Xi Jinping: uma incógnita assume o comando da China

Como é de praxe na China, pouco se sabe sobre a orientação política do futuro presidente Xi Jinping. Sabe-se apenas que ele é um candidato que todos conseguem aceitar.

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Who is Hu?” (Quem é Hu?), perguntava a mídia internacional há exatamente dez anos, quando chegava ao poder na China, sob a liderança de Hu Jintao, a atual geração de líderes que agora se despede. Os jornalistas repetiam a frase não só para se deleitar com o jogo de palavras, mas também para expressar sua verdadeira perplexidade. Além da biografia oficial liberada pelo partido, quase nada era conhecido sobre o então novo chefe de Estado. O que, aliás, não mudou muito depois de dez anos no cargo.

Agora, a mesma questão é colocada para o seu sucessor, Xi Jinping. Mas, desta vez, muitos chineses têm uma resposta: Xi é o marido de Peng Liyuan. Peng, a segunda esposa de Xi, tem grande popularidade como cantora na China. Suas canções patrióticas, com títulos como Meu país, ou Avante, China, a tornam até uma esposa de político perfeitamente aceitável. Mas entre a fechada elite partidária chinesa, a ligação com a estrela da música faz de Xi alguém exótico.

Ambicioso

Contudo, tirando seu casamento, Xi não é conhecido como um personagem que chame a atenção. Um despacho da embaixada dos EUA publicado pelo WikiLeaks o descrevia como “ambicioso”, “elitista” e “pragmático”. Xi nasceu em 1953, filho de um herói revolucionário, e viveu seus primeiros anos no seio da elite comunista. Muitos observadores do Partido Comunista consideram que, por isso, ele pertence ao grupo dos chamados “principezinhos”, como são chamados os filhos de altos funcionários do partido.

Porém, já no início dos anos 60, seu pai foi vítima de expurgos internos do partido, passou vários anos na prisão e foi reabilitado só após a morte de Mao. Na gestão de Deng Xiaoping, Xi foi brevemente governador de Guangdong – província considerada um laboratório para reformas econômicas.

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Da província a Pequim

Xi Jinping foi enviado ao interior durante a Revolução Cultural, como milhões de outros jovens do país, e passou vários anos morando numa vila remota da província de Shaanxi. De volta a Pequim, dedicou-se com afinco à política e ingressou no Partido Comunista – ainda enquanto seu pai estava na prisão. Ele começou fazendo carreira militar e entrou nos círculos militares mais altos de Pequim como assistente do então ministro da Defesa, Geng Biao.

Mais tarde, tornou-se secretário do partido e governador das províncias costeiras de Zhejiang e Fujian. Lá, Xi ganhou a reputação de ter um ouvido sempre aberto para as necessidades do setor privado, que na China muitas vezes sofre sob o domínio das empresas estatais.

Depois que o chefe do partido em Xangai, Chen Liangyu, foi demitido em 2006 por causa de um escândalo de corrupção, Xi passou a ser o homem mais importante daquela metrópole, na condição de secretário do partido.

No ano seguinte, Xi Jinping aderiu ao círculo mais íntimo do poder: a Comissão Permanente de nove membros do Politburo. Em 2008, assumiu o cargo de vice-presidente.

Amigos militares

A carreira sugere que Xi tenha bons contatos em vários círculos influentes do partido. Por suas origens, ele pertence aos “príncipes”; devido a sua carreira na costa, muitos o classificam como integrante da chamada “panelinha de Xangai”, do ex-presidente Jiang Zemin. Suas origens nas Forças Armadas também sugerem que tenha os melhores contatos naquele meio. Além disso, desfruta de prestígio entre os liberais, devido a seu pai.

Em outras palavras: ele é o típico nome que todos os lados conseguem aceitar. Esta pode ser uma das explicações para o fato de, há alguns anos, Xi ter conseguido se antepor a Li Keqiang. Tido como discípulo do atual presidente, Hu Jintao, Li era favorito ao posto, mas terá que se contentar com o cargo de primeiro-ministro.

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Xi é considerado aberto para o Ocidente. Sua filha estaria estudando em Harvard, sob um pseudônimo. Ele mesmo excursionou pelos Estados Unidos quando era jovem. Xi conhece as críticas ocidentais e as expectativas em relação à China – tanto em questões comerciais, como no que se refere aos direitos humanos.

Numa visita aos EUA, ele recentemente surpreendeu o público com palavras relativamente claras sobre os direitos humanos, admitindo que a China ainda tem “muitas deficiências” nessa área. Embora durante uma visita ao México, não muito tempo antes, tivesse dito que não tinha nenhuma simpatia por “ocidentais mimados, que não têm nada melhor a fazer do que criticar a China”. Seu país não exporta nem pobreza nem revoluções e não se intromete nos assuntos dos outros, declarou, arrematando: “O que é que vocês querem, afinal?”.

 

Quem é Xi Jinping, o novo secretário-geral do Partido Comunista Chinês?

Projetos sobre crimes virtuais são aprovados na Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (7) dois projetos que mandam para a cadeia quem praticar crime virtual. Os textos ainda dependem da aprovação da presidente Dilma Rousseff.

Ter a intimidade invadida e compartilhada milhões de vezes foi o pesadelo vivido pela atriz Carolina Dieckmann em maio deste ano, quando 36 fotos íntimas foram furtadas do computador dela e postadas na internet. Foram 8 milhões de acessos em cinco dias, segundo o advogado.

O Código Penal, de 1940, não trata dos crimes cibernéticos. Os criminosos respondem por delitos como difamação, falsificação e estelionato. O escândalo envolvendo a atriz serviu para desengavetar a discussão no Congresso e para aprovar dois projetos que criminalizam condutas ligadas à internet e equipamentos de informática.

Os textos acrescentam três artigos e modificam outros três do Código Penal e ainda alteram dois itens de leis específicas.

Passa a ser crime:

– Invadir computador para pegar dados sem autorização do dono para obter vantagens, crime agravado se as informações forem repassadas a outras pessoas.
– Fazer e distribuir programas que facilitem violação de máquinas.
– Instalar vírus.
– Clonar cartões de crédito e débito.

As penas variam de três meses de detenção a cinco anos de prisão e multa. Dependem da gravidade.

O texto também prevê:

– Que conteúdos racistas têm que ser retirados do ar.
– Criação de delegacias especializadas para combater crimes da internet.

Com esse conjunto de medidas, parlamentares estimam diminuir, por exemplo, as fraudes bancárias. Segundo a federação dos bancos, o prejuízo em 2011 chegou a R$ 1,1 bilhão. “Esse é o objetivo central, impedir que essa criminalidade prolifere, aumente no nosso país”, afirma o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

“O mais importante é a especialização do Código Penal. É o Código Penal entender, os legisladores entenderem, que se faz necessário que o Direito acompanhe a tecnologia”, diz José Walter Queiroz Galvão, advogado especialista em Direito Digital.