‘Era meu herói’, diz filha de policial executado na favela de Heliópolis

Sem farda e sem homenagens oficiais, o corpo do soldado Antônio Paulo da Rocha foi velado na noite de quinta-feira (1º) no Cemitério da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo. Ao lado do caixão simples que a família ajudou a comprar, foram colocadas coroas de flores compradas por policiais de sua companhia, familiares e amigos. Em uma delas, a mensagem: “combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”.

Rocha, de 35 anos, e o cabo Haiton Borges dos Santos Evangelista, de 33 anos, foram executados na noite de quarta-feira (31), na Rua Paraíba, na favela de Heliópolis. A família de Rocha diz estranhar o fato de a moto do policial ter sido deixada estacionada em frente ao seu local de trabalho, com um dos pneus murchos.

O crime será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil. A polícia quer apurar detalhes sobre o motivo de a dupla ter se dirigido ao local onde foram atingidos dirigindo uma moto sem placa.

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“Era um bom pai, um bom marido e um bom amigo, só isso”, disse a mulher de Rocha. “Ela dava conselhos para mim. Vou lembrar sempre dele, o carinho que ele tinha com a gente. Meu pai é um herói”, disse a filha de 15 anos, mergulhada em choro convulsivo.

A irmã de Rocha, Marli Barros, lembra o dia em que ele conseguiu entrar para a PM há 14 anos, após várias tentativas de classificação. “Era o que ele mais queria na vida e conseguiu”, conta. Ela afirma que o policial pensava em tirar férias em dezembro e estava prestes a receber uma condecoração. Nunca falou em sair da polícia. Também estava perto de quitar o apartamento em que morava e planejava mudar-se para uma casa mais ampla.

Nascido em 25 de janeiro, Rocha era reservado a ponto de nunca usar farda para chegar ou sair de casa. Ele também pedia que o sobrinho, corintiano como ele, deixasse de usar a camisa do time quando saía de casa, para evitar confusão.

Pai de duas meninas, tinha orgulho das notas da adolescente e do fato de a mais nova, de sete anos, já saber ler e escrever. Antes da PM, trabalhaou apenas em uma empresa de monitoramento. Casou-se com a primeira namorada com quem teve relacionamento sério.

Emocionada, uma cunhada de Rocha ficou revoltada com informações que colocam em dúvida o que o policial fazia na favela. “Era o caminho de ele voltar. Passam imagem do policial como se fosse bandido. Quando um bandido morre, vêm os direitos humanos”, afirmou.

“Ele tinha pedido férias, com medo, mas não deu tempo”, lamentou. “Queria que o Alckmin fosse na casa da minha irmã perguntar para ela se ela está precisando de alguma coisa”, afirmou.

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